domingo, 14 de outubro de 2012

QUESTÕES DE INTERPRETAÇÃO DE TEXTO DE CONCURSOS E VESTIBULARES


A indiferença da natureza
Eu me lembro do choque e da irritação que sentia, quando criança, ao assistir a documentários sobre a violência do mundo animal; batalhas mortais entre escorpiões e aranhas, centenas de formigas devorando um lagarto ainda vivo, baleias assassinas atacando focas e pinguins  leões atacando antílopes etc. Para finalizar, apareciam as detestáveis hienas, “rindo” enquanto comiam os restos de algum pobre animal.
Como a Natureza pode ser assim tão cruel e insensível, indiferente a tanta dor e sofrimento? (Vou me abster de falar da dor e do sofrimento que a espécie dominante do planeta, supostamente a de maior sofisticação, cria não só para os animais, mas também para si própria.) Certos exemplos são particularmente horríveis: existe uma espécie de vespa cuja fêmea deposita seus ovos dentro de lagartas. Ela paralisa a lagarta com seu veneno, e, quando os ovos chocam, as larvas podem se alimentar das entranhas da lagarta, que assiste viva ao martírio de ser devorada de dentro para fora, sem poder fazer nada a respeito. A resposta é que a Natureza não tem nada a dizer sobre compaixão ou ética de comportamento. Por trás dessas ações assassinas se esconde um motivo simples: a preservação de uma determinada espécie por meio da sobrevivência e da transmissão de seu material genético para as gerações futuras. Portanto, para entendermos as intenções da vespa ou do leão, temos que deixar de lado qualquer tipo de julgamento sobre a “humanidade” desses atos. Aliás, não é à toa que a palavra humano, quando usada como adjetivo, expressa o que chamaríamos de comportamento decente. Parece que isentamos o resto do mundo animal desse tipo de comportamento, embora não faltem exemplos que mostram o quanto é fácil nos juntarmos ao resto dos animais em nossas ações “desumanas”.
A idéia de compaixão é puramente humana. Predadores não sentem a menor culpa quando matam as suas presas, pois sua sobrevivência e a da sua espécie dependem dessa atividade. E dentro da mesma espécie? Para propagar seu DNA, machos podem batalhar até a morte por uma fêmea ou
pela liderança do grupo. Mas aqui poderíamos também estar falando da espécie humana, não?
(Marcelo Gleiser, Retalhos cósmicos. S.Paulo: Companhia das Letras, 1999, pp. 75-77)
1. TRE-RN – Analista Judiciário – Análise de Sistemas – Julho/2005
Conforme demonstram as afirmações entre parênteses, o autor confere em seu texto estas duas acepções distintas ao termo indiferença, relacionado à Natureza:
(A) crueldade (indiferente a tanta dor e sofrimento) e generosidade (o que chamaríamos de comportamento decente).
(B) hipocrisia (por trás dessa ações assassinas se esconde um motivo simples) e inflexibilidade (predadores não sentem a menor culpa).
(C) impiedade (indiferente a tanta dor e sofrimento) e alheamento (não tem nada a dizer sobre compaixão ou ética de comportamento).
(D) isenção (isentamos o resto do mundo animal desse tipo de comportamento) e pretexto (para propagar seu DNA).
(E) insensibilidade (sua sobrevivência e a da sua espécie dependem dessa atividade) e determinação (indiferente a tanta dor e sofrimento).
Resposta: C
2. TRE-RN – Analista Judiciário – Análise de Sistemas – Julho/2005
Considere as afirmações abaixo.
I. Os atributos relacionados às hienas, no primeiro parágrafo, traduzem nossa visão “humana” do mundo natural.
II. A pergunta que abre o segundo parágrafo é respondida com os exemplos arrolados nesse mesmo parágrafo.
III. A frase A idéia de compaixão é puramente humana é utilizada como comprovação da tese de que a natureza é cruel e insensível.
Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em:
(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) I e III.
Resposta: A
3. TRE-RN – Analista Judiciário – Análise de Sistemas – Julho/2005
Considerando-se o contexto em que se emprega, o elemento em destaque na frase
(A) Vou me abster de falar da dor e do sofrimento traduz a indiferença do autor em relação ao fenômeno que está analisando.
(B) Por trás dessas ações assassinas se esconde um motivo simples revela o tom de sarcasmo, perseguido pelo autor.
(C) a Natureza não tem nada a dizer sobre compaixão ou ética de comportamento expõe os motivos ocultos que regem o mundo animal.
(D) Mas aqui poderíamos também estar falando da espécie humana refere-se diretamente ao que se afirmou na frase anterior.
(E) Por trás dessas ações assassinas esconde-se um motivo simples anuncia uma exemplificação que em seguida se dará.
Resposta: D
4. TRE-RN – Analista Judiciário – Análise de Sistemas – Julho/2005
Considerando-se o choque e a irritação que o autor sentia, quando criança, com as cenas de crueldade do mundo animal, percebe-se que, com o tipo de argumentação que desenvolve em seu texto, ele pretende:
(A) justificar sua tolerância, no presente, com a crueldade que efetivamente existe no mundo natural.
(B) se valer da ciência adquirida, para fazer compreender como natural a violência que efetivamente ocorre na Natureza.
(C) se valer da ciência adquirida, para justificar a crueldade como um recurso necessário à propagação de todas as espécies.
(D) justificar suas intolerâncias de menino, reações naturais diante da efetiva crueldade que se propaga pelo mundo animal.
(E) se valer da ciência adquirida, para apresentar a hipótese de que os valores morais e éticos contam muito para o funcionamento da Natureza.
Resposta: B
5. TRE-RN – Analista Judiciário – Análise de Sistemas – Julho/2005
Quanto à concordância verbal, está inteiramente correta a seguinte frase:
(A) De diferentes afirmações do texto podem-se depreender que os atos de grande violência não caracterizam apenas os animais irracionais.
(B) O motivo simples de tantos atos supostamente cruéis, que tanto impressionaram o autor quando criança, só anos depois se esclareceram.
(C) Ao longo dos tempos tem ocorrido incontáveis situações que demonstram a violência e a crueldade de que os seres humanos se mostram capazes.
(D) A todos esses atos supostamente cruéis, cometidos no reino animal, aplicam-se, acima do bem e do mal, a razão da propagação das espécies.
(E) Depois de paralisadas as lagartas com o veneno das vespas, advirá das próprias entranhas o martírio das larvas que as devoram inapelavelmente.
Resposta: E
6. TRE-RN – Analista Judiciário – Análise de Sistemas – Julho/2005
NÃO admite transposição para a voz passiva o seguinte fragmento do texto:
(A) centenas de formigas devorando um lagarto.
(B) ao assistir a documentários sobre a violência do mundo animal.
(C) uma espécie de vespa cuja fêmea deposita seus ovos dentro de lagartas.
(D) Predadores não sentem a menor culpa.
(E) quando matam as suas presas.
Resposta: B
7. TRE-RN – Analista Judiciário – Análise de Sistemas – Julho/2005
Está inteiramente adequada a articulação entre os tempos verbais na  frase:
(A) Predadores não sentirão a menor culpa a cada vez que matarem uma presa, pois sabem que sua sobrevivência sempre dependerá dessa atividade.
(B) Se predadores hesitassem a cada vez que tiveram de matar uma presa, terão posto em risco sua própria sobrevivência, que depende da caça.
(C) Nunca faltarão exemplos que deixassem bem claro o quanto é fácil que nos viessem a associar aos animais, em nossas ações “desumanas”.
(D) Por trás dessas ações assassinas sempre houve um motivo simples, que estará em vir a preservar uma determinada espécie quando se for estar transmitindo o material genético.
(E) Ao paralisar a lagarta com veneno, a vespa terá depositado seus ovos nela, e as larvas logo se alimentariam das entranhas da lagarta, que nada poderá ter feito para impedi-lo.
Resposta: A
8.Leia atentamente os textos a seguir:

I. Estes são alguns dos equipamentos que a reserva de mercado não permitia a entrada no país sem a autorização do DEPIN.
(FSP, 18.10.92 )
II. Fazer pesquisa insinuando que 64% dos brasileiros acham que existe corrupção no governo Itamar não é um ato inteligente, de um jornal de que todos gostamos e que é dever de nós brasileiros lutar pela conservação de sua isenção".
(Adaptado de Ewerton Almeida, vice-líder do PMDB da Bahia, Painel do Leitor, FSP 08.06.93)

Reescreva os trechos acima, introduzindo as seqüências "cuja entrada" e "cuja isenção", respectivamente. (faça apenas as alterações necessárias, decorrentes da nova estrutura das frases.)



resposta: I. Estes são alguns dos equipamentos cuja entrada no país sem a autorização do DEPIN a reserva de mercado não permitia.

II. ...de um jornal de que todos gostamos e cuja isenção nós brasileiros devemos lutar para que seja conservada.

Texto II 
Quando vai acabar a corrupção no Brasil? 
Enviado por Jornal de Debates em 17. Maio 2007 - 21:00
Segundo o relatório do Bando Mundial – Bird, divulgado terça-feira (10), que mede o 
desempenho governamental de 212 países, o Brasil alcançou seu pior índice de controle de 
corrupção dos últimos 10 anos. Na escala que vai de 0 a 100, o país chegou a 47,1%, em 2006. 
Em 2000, o Brasil tinha 59,7%. O documento mede a extensão em que o poder público é usado 
para ganhos privados, incluindo pequenas e grandes  formas de corrupção, e se baseia em 
pesquisas sobre a importância da governabilidade e seu impacto no desenvolvimento do país. 
Países como Argélia, Angola, Líbia, Ruanda e Serra  Leoa apresentaram avanços na luta pela 
corrupção.  O Jornal de Debates pergunta: quando vai acabar a corrupção no Brasil? 
Fonte: http://www.jornaldedebates.com.br/debate/quando-vai-acabar-corrupcao-no-brasil
9. É próprio do poeta Gregório de Matos, em suas críticas mordazes, denunciar a corrupção 
política e religiosa da Bahia do século XVII. No poema de Gregório de Matos, essa crítica é 
expressa por meio de linguagem: 
(A)  denotativa, para evidenciar a desordem que habitava na Bahia e a ausência de atitudes 
políticas moralizadoras. 
(B) referencial, para criticar a crença no demônio, cuja fama justificava os desmandos políticos. 
(C) rebuscada,  por ser tratar de literatura barroca. 
(D) hiperbólica, principalmente quando focaliza o povo omisso. 
(E) simples, porém expressiva na utilização de eufemismos para delinear o fazer poético do eu - 
lírico. 
Resposta: A 
10. Os textos citados são de épocas bem diversas. Considerando-se Epílogo de Gregório de 
Matos (poeta barroco), escrito no século XVII, e o texto sobre a corrupção no Brasil, pode-se 
afirmar que: 
(A)  O texto de Gregório é uma crítica aos desmandos políticos provenientes da falta de 
compromisso dos governantes, sempre favorecidos pelas falcatruas e os homens comuns, que não  reagem e permitem esse estado de coisas.  No texto do Jornal de Debates, demonstra-se o pior índice de controle de corrupção do Brasil. E tal fato aponta outro: os políticos perderam o medo  da intolerância popular. 
(B) As sociedades aprendem com seus erros através das experiências de modo muito rápido. E tal  fato fica evidente no texto II. 
(C) O texto do Jornal de Debates mostra especialmente uma época atípica na política brasileira, já que todos os representantes do povo desde a época de Gregório de Matos fazem jus aos seus  cargos políticos. 
(D) Embora os dois textos apresentem temas semelhantes, o texto do Jornal de Debates é mais enfático quanto aos desmandos políticos ao questionar o término da corrupção no Brasil. 
(E)  Os homens, desde o século XVII, aplicam a Lei e em  conseqüência disso, houve uma    diminuição gradual na corrupção política do país.  
Resposta: A


Texto para as questões de 11 a 15

O leão e a raposa

Um leão envelhecido, não podendo mais procurar alimento por sua própria conta, julgou que devia arranjar um jeito de fazer isso. E, então, foi a uma caverna, deitou-se e se fingiu de doente. Dessa forma, quando recebia a visita de outros animais, ele os pegava e os 
comia. Depois que muitas feras já tinham morrido, uma raposa, ciente da armadilha, parou a certa distância da caverna e perguntou ao leão como ele estava. Como ele respondesse: “Mal!” e lhe perguntasse por que ela não entrava, disse a raposa: “Ora, eu entraria se não visse marcas de muitos entrando mas de ninguém saindo”.
Esopo - escritor grego do século VI a.C.

11.Considere as seguintes afirmações:

I. O texto é uma fábula, pois, a partir de uma pequena história envolvendo 
animais, há uma lição a ser tirada dos fatos relatados.
II. No texto há a representação de estereótipos do comportamento humano: 
o leão, representando a velhice e o poder; e a raposa, representando a 
esperteza.
III. O texto apresenta na breve narrativa um conflito que evidencia uma oposição 
de interesses, levando a história para sua conclusão.

Assinale: 
a)  se apenas as alternativas I e II estiverem corretas.
b)  se apenas as alternativas I e III estiverem corretas.
c)  se apenas as alternativas II e III estiverem corretas.
d)  se todas as alternativas estiverem corretas.
e)  se nenhuma das alternativas estiver correta.

12.Assinale a alternativa que melhor expressa a moral depreendida pela leitura do 
texto. 

a) Os homens sensatos, tendo prova dos perigos, podem prevê-los e evitá-los.

b) São insensatos os homens que, na esperança de bens maiores, deixam escapar 
o que têm na mão.

c) Alguns homens, não conseguindo realizar seus negócios por incapacidade, 
acusam as circunstâncias.

d) Entre os homens, os mentirosos se vangloriam apenas quando não há 
ninguém para contestá-los.

e) É preciso reconhecer aquele que fez o bem e a esse dar o reconhecimento.

13. Assinale a alternativa correta.

a) O fragmento  não podendo mais procurar alimento por sua própria 
conta (linhas 01 e 02) apresenta a causa da decisão assumida pelo leão.

b) A narrativa contém apenas discurso indireto, aquele em que o narrador faz 
uma paráfrase da fala dos personagens.

c) O uso do subjuntivo em respondesse e perguntasse (linha 07) denota 
a mesma ideia de hipótese presente em “O que você faria se ganhasse na 
loteria?”.

d) Na linha 04, o pronome os nas duas ocorrências evidencia que a relação de 
coesão é estabelecida com elemento que será apresentado no texto apenas 
após os pronomes.

e) A partícula já (linha 05) denota temporalidade relacionada exatamente a 
um momento presente, como em “Faça isso já, agora mesmo!”.
14. Assinale a alternativa correta. 

a) É indiferente o emprego das grafias se não (linha 08) ou “senão” para a 
formação dos sentidos textuais.

b) A forma verbal recebia (linha 04) exprime um fato passado já concluído, 
anterior a outro fato também passado. 

c) A troca da posição da palavra certa (linha 06) altera os sentidos: a uma 
certa distância / “a uma distância certa”.

d) O uso de por que (linha 08) está de acordo com a norma culta, como 
em “Ele explicou novamente todos os exercícios por que os alunos 
pediram”. 

e) As palavras  leão (linha 01) e  raposa  (linha 05) apresentam sentido 
generalizado, enquanto animais (linha 04) e feras (linha 05) têm sentido 
mais específico.

15.Assinale a melhor paráfrase do trecho abaixo, considerando a manutenção dos 
sentidos, a clareza, a concisão e o uso da norma culta.
Depois que muitas feras já tinham morrido, uma raposa, ciente da 
armadilha, parou a certa distância da caverna e perguntou ao leão como 
ele estava.

a) Consciente da armadilha, uma raposa depois que muitas feras morrerão 
parou de perto da caverna para ver como o leão estava e o perguntou sobre 
a saúde.

b) Uma raposa, após a morte de muitos outros animais, atenta às artimanhas 
do leão, aproximou-se um pouco do local em que a fera estava, indagando 
a respeito de seu estado.

c) Após a morte de feras, uma raposa medrosa, das artimanhas do leão, se 
deparou com uma caverna que ficava a uma certa distância do leão para 
ver como ele estava.

d) Uma raposa perguntou ao leão como ele estava, pois ela sabia que haviam 
armadilhas que ficava a uma certa distância da caverna aonde muitas feras 
já tinham morrido.

e) Uma raposa que viu a morte de muitas feras na armadilha que ficava à uma 
distância da caverna  perguntou para o leão como ele estava e era ciente da 
armadilha.

As questões de 16 a 23 referem-se ao seguinte texto: (Ita-2009)

Texto  
   
   Moradores de Higienópolis admitiram ao jornal Folha de S. Paulo que a abertura de uma estação de metrô na avenida Angélica traria “gente diferenciada” ao bairro. Não é difícil imaginar que alguns vizinhos do Morumbi compartilhem esse medo e prefiram o isolamento garantido com a inexistência de transporte público de massa por ali. 
    Mas à parte o gosto exacerbado dos paulistanos por levantar muros, erguer fortalezas e se refugiar em ambientes distantes do Brasil real, o poder público não fez a sua parte em desmentir que a chegada do transporte de massas não degrade a paisagem urbana. 
    Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, na Colômbia, e grande especialista em transporte coletivo, diz que não basta criar corredores de ônibus bem asfaltados e servidos por diversas linhas. Abrigos confortáveis, boa iluminação, calçamento, limpeza e paisagismo que circundam estações de metrô ou pontos de ônibus precisam mostrar o status que o transporte público tem em uma determinada cidade. 
    Se no entorno do ponto de ônibus, a calçada está esburacada, há sujeira e a escuridão afugenta pessoas à noite, é normal que moradores não queiram a chegada do transporte de massa. 
      A instalação de linhas de monotrilho ou de corredores de ônibus precisa vitaminar uma área, não destruí-la. 
Quando as grades da Nove de Julho foram retiradas, a avenida ficou menos tétrica, quase bonita. 
     Quando o corredor da Rebouças fez pontos muito modestos, que acumulam diversos ônibus sem dar vazão a desembarques, a imagem do engarrafamento e da bagunça vira um desastre de relações públicas. 
    Em Istambul, monotrilhos foram instalados no nível da rua, como os “trams” das cidades alemãs e suíças. Mesmo em uma cidade de 16 milhões de habitantes na Turquia, país emergente como o Brasil, houve cuidado com os abrigos feitos de vidro, com os bancos caprichados – em formato de livro – e com a iluminação. Restou menos espaço para os carros porque a idéia ali era tentar convencer na marra os motoristas a deixarem mais seus carros em casa e usarem o transporte público. 
    Se os monotrilhos do Morumbi, de fato, se parecerem com um Minhocão*, o Godzilla do centro de São Paulo, os moradores deveriam protestar, pedindo melhorias no projeto, detalhamento dos materiais, condições e impacto dos trilhos na paisagem urbana. Se forem como os antigos bondes, ótimo. 
     Mas se os moradores simplesmente recusarem qualquer ampliação do transporte público, que beneficiará diretamente os milhares de prestadores de serviço que precisam trabalhar na região do Morumbi, vai ser difícil acreditar que o problema deles não seja a gente diferenciada que precisa circular por São Paulo. (Raul Justes Lores. Folha de S. Paulo, 07/10/2010. Adaptado.) 
(*) Elevado Presidente Costa e Silva, ou Minhocão, é uma via expressa que liga o Centro à Zona Oeste da cidade de São Paulo.

16. Todas as opções abaixo estão respaldadas no texto. Assinale a que contém a ideia central. 

A (  ) O transporte público exige medidas técnicas e administrativas, além de cuidado com a paisagem urbana. 
B (  )  As pessoas contrárias à instalação da estação do metrô são movidas por preconceito. 
C (  )  Os paulistanos constroem o espaço onde vivem de modo a se isolarem das adversidades sociais. 
D (  )  As experiências de transporte público de outras cidades poderiam ser adotadas em São Paulo. 
E (  )  A instalação de linhas de ônibus e de metrô deve propiciar o desenvolvimento da área em que se encontram. 

17. O fato de parte de moradores de Higienópolis recusar a instalação de uma nova estação de metrô na avenida Angélica é justificável, uma vez que 

A (  ) o isolamento em condomínios fechados é preferível para eles. 
B (  ) o poder público não desmentiu a possível degradação do espaço público com a instalação do metrô.  
C (  ) a chegada de transporte de massas não traria melhoria para a região. 
D (  ) não há público para o uso dessa linha de metrô. 
E (  ) eles usam mais seus carros e não necessitam do metrô.

18. Leia os seguintes enunciados: 

I. Partindo de um fato noticioso – a reação de moradores diante da intenção da Prefeitura de São Paulo em construir uma estação do metrô na Avenida Angélica –, o autor questiona a eficiência do transporte público na cidade. 
II. Para o autor, a valorização do transporte coletivo urbano está atrelada a aspectos estruturais e arquitetônicos das estações de metrô e pontos de ônibus. 
III. A informação sobre o número de habitantes da cidade de Istambul e a comparação do Brasil com a Turquia permitem que o leitor avalie a possibilidade de iniciativas para a melhoria do transporte coletivo em São Paulo. 
Está correto o que se afirma apenas em:

A (  ) I e II.    B (  ) I e III.      C (  ) II.    D (  ) II e III.     E (  ) III. 

19. Assinale a opção que NÃO se pode pressupor do texto. 

A (  ) O transporte de massas em São Paulo pode degradar a paisagem urbana. 
B (  ) Os pontos de ônibus do corredor da Rebouças dificultam o trânsito. 
C (  ) Em Istambul, as estações de monotrilho não reduziram os espaços para os carros. 
D (  ) Numa cidade de 16 milhões de habitantes em um país emergente não se espera o cuidado com os abrigos, bancos e iluminação.
E (  ) A criação de corredores de ônibus bem asfaltados e servidos por diversas linhas é condição necessária, mas não suficiente.

20. No texto, o segmento que NÃO expressa uma avaliação do autor é 

A (  ) [...] à parte o gosto exacerbado dos paulistanos por levantar muros. (linha 5) 
B (  )  [...] a avenida ficou menos tétrica, quase bonita. (linha 16) 
C (  )  [...] a imagem do engarrafamento e da bagunça vira um desastre de relações públicas. (linhas 18 e 19) 
D (  )  Em Istambul, monotrilhos foram instalados no nível da rua, como os “trams” das cidades alemãs e suíças. (linhas 20 e 21)
E (  )   Se forem como os antigos bondes, ótimo. (linha 27) 

21.  No texto, “gente diferenciada” é equivalente a: 

A (  ) Brasil real. (linha 6)    B (  ) poder público. (linha 6)    C (  ) relações públicas. (linhas 18 e 19) 
D (  ) motoristas. (linha 24)   E (  ) moradores. (linha 28) 

22. Em sentido amplo, a relação de causa e efeito nem sempre é estabelecida por conectores (porque, visto que, já que, pois etc). Outros recursos também são usados para atribuir relação de causa e efeito entre dois ou mais segmentos. Isso ocorre nas opções abaixo, EXCETO em:

A (  ) [...] a abertura de uma estação de metrô na avenida Angélica traria “gente diferenciada” ao bairro. (linhas 1 e 2) 
B (  ) [...] a escuridão afugenta pessoas à noite [...]. (linhas 12 e 13) 
C (  ) A instalação de linhas de monotrilho ou de corredores de ônibus precisa vitaminar uma área [...]. (linha 14) 
D (  ) Quando as grades da Nove de Julho foram retiradas, a avenida ficou menos tétrica [...]. (linha 16) 
E (  ) [...] a imagem do engarrafamento e da bagunça vira um desastre de relações públicas. (linha 18 e 19)

23. A possível instalação de uma estação do metrô na avenida Angélica e a reação por parte de moradores de Higienópolis gerou muita polêmica e manifestações, que foram veiculadas na mídia impressa e virtual. Assinale a opção, cuja manifestação NÃO constitui uma ironia. 

A (  ) “Só ando de metrô em Paris, Nova York e Londres” (cartaz que integrava uma manifestação contra a mudança da futura 
estação do metrô da avenida Angélica para a avenida Pacaembu). 
B (  ) “Nós queremos o metrô sim. Mas ele tem que ser condizente com o nível do bairro. Portanto, exigimos uma ligação direta com 
Alphaville, Morumbi e Veneza, na Itália.” (frase de um participante de uma manifestação contra a mudança da futura estação 
do metrô da avenida Angélica para a avenida Pacaembu). 
C (  ) “É tão fácil resolver problema, gente: faz uma entrada social e uma de serviço.” (Luísa Tieppo, no Twitter) 
D (  ) “Eu não uso metrô e não usaria. Isso vai acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das 
estações do metrô? Drogados, mendigos, uma gente diferenciada.” (moradora de Higienópolis, em reportagem da  Folha, 13/08/2010). 
E (  ) “Não se esqueçam dos sacos de lixo. Somos diferenciados, mas somos limpinhos” (convite virtual divulgado no Facebook para
o “Churrascão da Gente Diferenciada”, uma manifestação contra a mudança da futura estação do metrô da avenida Angélica para a avenida Pacaembu). 

24. Acerca do texto acima, é correto afirmar:

a) A fala “O momento é outro” pertence ao governador mineiro.
b) É do governador de Minas a fala de quem declarou não haver projeto em desenvolvimento que necessitasse de apoio financeiro.
c) A garantia de que os estados mais carentes teriam sua parte na distribuição de verbas é mencionada pelo governador piauiense e atribuída ao governador do Rio.
d) A declaração de que precisava de verba para aplicar na malha viária pertence ao governador mineiro.
e) A fala “Fico com a sua parte!” pertence ao governador do Espírito Santo.
 


Em 10 de dezembro de 1948, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou a Declaração Universal dos Direitos dos Seres Humanos. Essa declaração é composta por trinta (30) artigos que representam os desejos e anseios dos seres humanos de viverem em igualdade, fraternidade e liberdade no planeta Terra.

25. Sobre o conceito de seres humanos contido na Declaração dos Direitos Humanos, é correto afirmar:

a) Engloba a maioria dos povos que habitam o planeta terra.
b) Circunscreve-se aos cidadãos de um determinado país.
c) Corresponde aos indivíduos com poder de decisão em suas respectivas comunidades.
d) Limita-se ao conjunto de indivíduos em pleno gozo do direito à liberdade.
e) Estabelece um critério universal para julgar as ações humanas.
 

26.  “[...] uma sociedade somente poderá existir plenamente se respeitar os anseios de todos os seus cidadãos e respeitar seus direitos fundamentais, incluindo aí o direito de se ter uma vida digna.”
(SANTOS, Antonio Silveira Ribeiro dos. Dignidade humana e reorganização social. Disponível em: . Acesso em 25 mar.2004).

Com base nos conhecimentos sobre dignidade, direitos e deveres fundamentais, é correto afirmar:

a) O fato de a humanidade ter ingressado em um estágio de relações plenamente mercantilizadas justifica a hierarquização na definição de direitos e deveres dos seres humanos.
b) Entre os homens, existem papéis inalienáveis, a alguns é reservado o direito à caridade e a outros o dever de serem caridosos.
c) Dignidade é sinônimo de complacência com os indivíduos cujas práticas restringem direitos fundamentais.
d) O rol dos direitos fundamentais dos seres humanos deve ser diretamente proporcional à satisfação incondicional dos anseios individuais.
e) O respeito devido a todo e qualquer indivíduo, em face de sua condição humana, confere significado à dignidade.
 


Leia os textos a seguir e responda as questões 27 a 30.


Nordeste 40 graus 1

A temporada de verão está levando ao Nordeste 42 vôos charter por semana vindos de catorze países. Fortaleza, Natal e Porto Seguro são os campeões da preferência. É um desempenho de dar água na boca: no verão passado, apenas dezoito vôos desse tipo desembarcavam na região.


Nordeste 40 graus 2

Argentina e Portugal lideram a bem-vinda invasão, com quase a metade das linhas de charters. Até da República Checa, Bolívia e Guiana Francesa vem gente. Nenhum desses vôos é oriundo dos EUA. E, do jeito que estão as coisas, nem é bom tentar trazê-los...
(Veja, 14 jan. 2004, p. 35.)
27. Com base nos textos, assinale a alternativa correta:

a) O número de países que enviam vôos do tipo charter ao Nordeste brasileiro e que não foram identificados na reportagem é oito.

b) O número de vôos internacionais do tipo charter para o Nordeste brasileiro quase dobrou do verão de 2003 para o verão de 2004.

c) O número de vôos internacionais do tipo charter que chega a Porto Seguro é superior ao que chega a Salvador.

d) Os vôos norte-americanos do tipo charter contribuíram para o êxito do verão no Nordeste brasileiro.

e) Os vôos portugueses do tipo charter que chegam a Natal são em torno de vinte por semana.

28. Observe a frase retirada do texto “Nordeste 40 graus 2”: “Até da República Checa, Bolívia e Guiana Francesa vem gente.” Assinale a alternativa correta:

a) A frase revela o espírito de inclusão e confraternização com povos de culturas tão exóticas como os citados, saudados como novos integrantes da miscigenação cultural brasileira.

b) A frase revela um sentimento de incômodo e aversão ao estrangeiro, com a chegada maciça de turistas provenientes de países pouco civilizados.

c) A frase revela uma atitude preconceituosa em relação a países de pouca projeção econômica, pois a vinda de turistas de países com mais tradição turística como França e Alemanha não causaria estranhamento.

d) A frase revela uma estranheza diante da chegada de turistas pobres, reduzidos a um povo culturalmente desqualificado.

e) A frase revela uma surpresa com a vinda de turistas de países tão distantes geograficamente como os citados, enquanto Argentina e Portugal já oferecem visitantes próximos e previsíveis.

29. Observe as palavras: “países”, “preferência” e “água”. Assinale a alternativa correta quanto à acentuação destas palavras:

a) A primeira palavra é acentuada pelo mesmo motivo que “Croácia”.
b) A segunda palavra é acentuada pelo mesmo motivo que “vôos”.

c) A primeira palavra é acentuada porque se trata de paroxítona terminada em hiato.
d) A terceira palavra é acentuada porque apresenta um hiato.

e) As duas últimas palavras são acentuadas porque são paroxítonas terminadas em ditongo.

30. Observe a frase: “É um desempenho de dar água na boca: no verão passado, apenas dezoito vôos desse tipo desembarcavam na região.” Assinale a alternativa que contém uma versão adequada desta frase, sem lhe alterar o sentido:

a) É um desempenho estimulante, pois, no verão passado, apenas dezoito vôos desse tipo desembarcavam na região.

b) É um desempenho invejável o do verão passado: dezoito vôos desse tipo desembarcavam na região.

c) Foi um desempenho fascinante, no verão passado: somente dezoito vôos desse tipo chegavam à região.

d) No último verão, somente dezoito vôos desse tipo chegavam à região: foi um desempenho excitante.

e) No verão passado, houve um desempenho fantástico: somente dezoito vôos desse tipo desembarcavam na região.

Leia o texto a seguir e responda as questões 31 a 34.


A anfitriã americana, diretora da maior agência de intercâmbio de estudantes nos EUA pede a consulados no Brasil que facilitem vistos para brasileiros.

As empresas de intercâmbio de estudantes, que enviam 13 mil jovens todo ano aos Estados Unidos para estudar, podem definhar por conta das dificuldades impostas para conceder vistos. Para evitar que isso aconteça, a vice-presidente do American Institute for Foreign Study (Aifs), Marcie Schneider, veio ao Brasil conversar com os responsáveis nas embaixadas americanas no Rio de Janeiro e em São Paulo. A ideia é divulgar os programas de intercâmbio da empresa e de sua parceira no Brasil, a Experimento, além de entender como o processo de obtenção de visto está correndo por aqui. Depois de deixar foto e impressões digitais no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, Marcie falou a ÉPOCA.

ÉPOCA – A dificuldade de conseguir visto para os EUA está prejudicando o intercâmbio?

Marcie Schneider – Ainda não quantificamos o problema, mas estamos preocupados. Há políticos americanos receosos de que essas medidas afetem o turismo e o número de estrangeiros interessados em estudar em universidades americanas, por exemplo. Temos de prevenir para que isso não aconteça.


ÉPOCA – Como?

Marcie – Estou me concentrando nos responsáveis pela concessão de visto a estudantes nas embaixadas. Pretendo ver como esse processo está acontecendo por aqui. Não queremos que as novas regras de obtenção de visto prejudiquem a procura de estudantes brasileiros pelo intercâmbio. Boa parte dos estudantes que atendemos é do Brasil. O que fazemos é um lobby com o governo americano para que isso não se torne um obstáculo grande demais para quem deseja estudar nos Estados Unidos.


ÉPOCA – Que tipo de lobby?

Marcie – Pressionamos para que não haja muitos entraves à obtenção do visto. Explicamos quão positiva pode ser a experiência de intercâmbio, tanto para o estudante estrangeiro como para o americano que o recebe. Nesse ponto, as embaixadas até têm nos ouvido bem. Elas também querem ter certeza de que, se o estudante pega o visto de um ano, vai voltar para casa quando esse tempo passar.

ÉPOCA - Há um perfil específico do brasileiro que tem chances de conseguir o visto e do que não tem?

Marcie – As embaixadas americanas dão preferência aos que sabem realmente o que querem fazer. A maior preocupação não é em relação a terrorismo vindo do Brasil. Um brasileiro que, na entrevista na embaixada, diz que vai estudar nos Estados Unidos porque quer ser professor, aprimorar o inglês ou conseguir um emprego melhor quando voltar tem maiores chances de conseguir o visto. A pessoa deve mostrar que possui objetivos claros. Já quem tem muitos parentes nos Estados Unidos vai ter dificuldades.

ÉPOCA – A determinação do governo de Bush de exigir a identificação de brasileiros que pisam nos Estados Unidos fez com que o Brasil passasse a exigir o mesmo dos americanos. O que você acha disso?

Marcie – O Brasil é o único país que está fazendo isso e acho justo. Se os brasileiros têm de ser identificados quando vão para os Estados Unidos, é justo que façam o mesmo com os americanos.
(Época, 09 fev. 2004, p. 49.)

31. Assinale a alternativa que apresenta adequadamente o grupo defendido pela empresária norte-americana no texto:

a) Embaixadas norte-americanas anti-terroristas.

b) Estudantes brasileiros em busca de intercâmbio nos Estados Unidos.

c) Estudantes estrangeiros que permanecem nos Estados Unidos após o fim da validade do visto.

d) Políticos norte-americanos preocupados com estudantes estrangeiros no Brasil.

e) Professores brasileiros que pretendem se aperfeiçoar nos Estados Unidos.

32. Com base no texto, assinale a alternativa correta quanto às causas e aos efeitos das exigências norte-americanas para fins de entrada naquele país:

a) Estudantes estrangeiros entravam e continuam entrando nos Estados Unidos sem problemas.

b) Há pouca atenção quanto aos efeitos destas exigências sobre o turismo nos Estados Unidos.

c) O governo brasileiro determinou que norte-americanos sejam fotografados e deixem suas impressões digitais quando chegam ao Brasil.

d) O intercâmbio escolar preocupou o governo norte-americano porque havia um fraco desempenho dos estudantes estrangeiros nos Estados Unidos.

e) O risco de terrorismo nos Estados Unidos é um aspecto secundário para estas exigências.

33. Observe a frase: “Pressionamos para que não haja muitos entraves à obtenção do visto.” Assinale a alternativa que apresenta uma substituição adequada do trecho sublinhado quanto à concordância e à regência:

a) Pressionamos para que não exista muitos entraves a estudantes brasileiros.

b) Pressionamos para que não exista muitos entraves às universitárias brasileiras.

c) Pressionamos para que não existam muitos entraves à estrangeiros honestos.

d) Pressionamos para que não existam muitos entraves aos estudantes brasileiros.

e) Pressionamos para que não houvessem muitos entraves a turista brasileira.


34. Observe as duas frases:

I. A obtenção do visto requer clareza.

II. As novas regras de obtenção do visto são humilhantes.

Assinale a alternativa que apresenta a junção correta dos dois períodos, através do uso adequado do pronome relativo:

a) A obtenção do visto, com suas novas regras humilhantes, requer clareza.

b) A obtenção do visto, cujas novas regras são humilhantes, requer clareza.

c) A obtenção do visto, cujo as novas regras são humilhantes, requer clareza.

d) A obtenção do visto, de que as novas regras são humilhantes, requer clareza.

e) A obtenção do visto, onde as novas regras são humilhantes, requer clareza.

 (IBGE) Texto para as questões 35 a 40:

      §1º - Uma diferença de 3.000 quilômetros e 32 anos de vida separa as margens do abismo entre o Brasil que vive muito, e bem, e o Brasil que vive pouco, e mal. Esses números, levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, e pela Fundação Joaquim Nabuco, de Pernambuco, referem-se a duas cidades situadas em polos opostos do quadro social brasileiro. Num dos extremos está a cidade de Veranópolis, encravada na Serra Gaúcha. As pessoas que nascem ali têm grandes possibilidades de viver até os 70 anos de idade. Na outra ponta fica Juripiranga, uma pequena cidade do sertão da Paraíba. Lá, chegar à velhice é privilégio de poucos. Segundo o IBGE, quem nasce em Juripiranga tem a menor esperança de vida do país: apenas 38 anos.
      §2º A estatística revela o tamanho do abismo entre a cidade serrana e a sertaneja. Na cidade gaúcha, 95% das pessoas são alfabetizadas, todas usam água tratada e comem, em média, 2.800 calorias por dia. Os moradores de Juripiranga não têm a mesma sorte. Só a metade deles recebe água tratada, os analfabetos são 40% da população e, no item alimentação, o consumo médio de calorias por dia não passa de 650.
      §3º O Brasil está no meio do trajeto que liga a dramática situação de Juripiranga à vida tranquila dos veranenses. A média que aparece nas estatísticas internacionais dá conta de que o brasileiro tem uma expectativa de vida de 66 anos.
      §4º Veranópolis, como é comum na Serra Gaúcha, é formada por pequenas propriedades rurais em que se planta uva para a fabricação de vinhos. Tem um cenário verdejante. Seus moradores - na maioria descendentes de imigrantes europeus - plantam e criam animais para o consumo da família. Na cidade paraibana, é óbvio, a realidade é bem diferente. Os sertanejos vivem em cenário árido. Juripiranga não tem calçamento e o esgoto corre entre as casas, a céu aberto. Não há hospitais. A economia gira em torno da cana-de-açúcar. Em época de entressafra, a maioria das pessoas fica sem trabalho.
      §5º No censo de 1980, os entrevistadores do IBGE perguntaram às mulheres de Juripiranga quantos de seus filhos nascidos vivos ainda sobreviviam. O índice geral de sobreviventes foi de 55%. Na cidade gaúcha, o resultado foi bem diferente: a sobrevivência é de 93%.
      §6º Contrastes como esses são comuns no país. A estrada entre o país rico e o miserável está sedimentada por séculos de tradições e culturas econômicas diferentes. Cobrir esse fosso custará muito tempo e trabalho.
      (Revista Veja - 11/05/94 - pp. 86-7 - com adaptações)

 35. Os 32 anos referidos no texto como um dos indicadores do abismo existente entre as cidades de Veranópolis e Juripiranga corresponde à diferença entre:
      
     a) suas respectivas idades, considerando a época da fundação
      b) as idades do morador mais velho e do mais jovem de cada cidade
      c) as médias de idade de seus habitantes
      d) a expectativa de vida das duas populações
      e) os índices de sobrevivência dos bebês nascidos vivos.

  36. Segundo o texto, Veranópolis e Juripiranga encontram-se em polos opostos. Assinale a única opção cujos elementos não caracterizam uma oposição entre essas duas cidades:
      
     a) Norte x Sul                      d) Verdejante x Árido
      b) Serra x Sertão                 e) Plantação x Consumo
      c) Dramática x Tranquila

 37. Analise as afirmações abaixo e assinale V para as que, de acordo com o texto, considerar verdadeiras e F para as falsas:
      ( ) A cidade paraibana não tem sequer a metade dos privilégios de que goza a cidade gaúcha.
      ( ) O Brasil, como um todo, encontra-se numa posição intermediária entre as duas cidades.
      ( ) Apesar de afastadas pelas estatísticas, Veranópolis e Juripiranga se
      unem pelas tradições culturais.
      ( ) Embora com resultados diferentes, a base da economia das duas cidades é a agricultura.
      ( ) De seus ancestrais europeus os sertanejos adquiriram as técnicas rurais.
      A sequência correta é:
     
     a) V - V - V - F - F                         d) F - F - V - F - V
      b) V - V - F - F – F                         e) F - F - V - V - V
      c) V - V - F - V – F

38. "Cobrir esse fosso custará muito tempo e trabalho." O fosso mencionado no texto diz respeito ao (à):
      
     a) abismo entre as duas realidades
      b) esgoto que corre a céu aberto
      c) calçamento deficiente das estradas brasileiras
      d) falta de trabalho durante a entressafra
      e) distância geográfica entre os dois polos

 39. Numa análise geral do texto, podemos classificá-lo como predominantemente:
      
     a) descritivo               d) narrativo
      b) persuasivo              e) sensacionalista
      c) informativo

40. Em "a cidade de Veranópolis, encravada na Serra Gaúcha"... e "A estrada ... está sedimentada por séculos...", os termos sublinhados alterariam o sentido do texto se fossem substituídos, respectivamente, por:
      
   a) cravada e assentada                   d) enfiada e fixada
      b) fincada e estabilizada                  e) escavada e realçada

      c) encaixada e firmada

      (ETF-SP) Instruções para as questões de números 41 e 42. Essas questões referem-se a compreensão de leitura. Leia atentamente cada uma delas e assinale a alternativa que esteja de acordo com o texto apresentado. Baseie-se exclusivamente nas informações nele contidas.
      Para fazer uma boa compra no ramo imobiliário, não basta ter dinheiro na mão. É imprescindível que o comprador seja frio, calculista e bem informado. Na hora de comprar um imóvel, a emoção é um dos maiores inimigos de um bom negócio. Assim, por mais que se goste de uma casa, convém manter sempre um certo ar de contrariedade. Se o vendedor perceber qualquer sinal de emoção, isso poderá custar dinheiro ao comprador. Não é por outra razão que quem compra para especular ou apenas para investir costuma conseguir um melhor negócio do que quem está à procura de um lugar para morar.
     
 41. Segundo o texto:

a.     Os vendedores, via de regra, buscam ludibriar os compradores, e vice-versa.
b.     O vendedor costuma aumentar o preço do imóvel quando o comprador não está bem informado sobre o mercado de valores.
c.     O mercado imobiliário oferece bons investimentos apenas para quem pretende especular.
d.     No ramo imobiliário, uma atitude que aparente indiferença pode propiciar negócio mais vantajoso para o comprador.
e.     No mercado imobiliário, o comprador realiza melhor negócio adquirindo uma propriedade de que não tenha gostado muito.

  42. Segundo o mesmo texto:

a.    Quanto maior a disponibilidade financeira do comprador, maior a probabilidade de sucesso no negócio imobiliário.
b.      Disponibilidade econômica não é o único fator que possibilita a realização de um bom negócio.
c.     O vendedor, por preferir negociar com investidores, desfavorece o comprador da casa própria.
d.    Gostar de uma casa é psicologicamente importante em qualquer tipo de compra, seja ela para residência ou para investimento.
e.    O mercado imobiliário oferece oportunidades mais seguras para o investidor que para o especulador.

      (TRT) As questões 43 a 46 referem-se ao texto abaixo:
      "Sete Quedas por nós passaram / E não soubemos amá-las / E todas sete foram mortas, / E todas sete somem no ar. / Sete fantasmas, sete crimes / Dos vivos golpeando a vida / Que nunca mais renascerá." (Carlos Drummond de Andrade
  
43. Por fantasmas, no texto, entende-se:
      a) entes sobrenaturais que aparecem aos vivos
      b) imagens dos que existem no além
      c) imagens de culpa que iremos carregar
      d) imagens que assombram e causam medo
      e) frutos da imaginação doentia do homem

44. A repetição do conectivo "e" tem efeito de marcar:

a.     que existe uma sequência cronológica dos fatos
b.     um exagero do conectivo
c.    que existe uma descontinuidade de fatos
d.    que existe uma implicação natural de conseqüência dos dois últimos fatos em relação ao primeiro
e.     que existe uma coordenação entre as três orações

 45. A afirmação: "Sete Quedas por nós passaram / E não soubemos amá-las."
      Faz-nos entender que:
      
     a) só agora nos damos conta do valor daquilo que perdemos
      b) enquanto era possível, não passávamos por Sete Quedas
      c) Sete Quedas pertence agora ao passado
      d) Todos, antigamente, podiam apreciar o espetáculo; agora não
      e) Os brasileiros costumam desprezar a natureza

  46. Na passagem: "E todas sete foram mortas, / E todas sete somem no ar." O uso de todas sete se justifica:
      a) como referência ao número de quedas que existiram no rio Paraná
      b) para representar todo conjunto das quedas que desaparece
      c) para destacar o valor individual de cada uma das quedas
      d) para confirmar que a perda foi parcial
      e) pela necessidade de concordância nominal

 47. (CESCEM) "O homem momento desempenha, na História, papel semelhante ao do pequeno holandês que tapou com o dedo um buraco no dique, e assim salvou a cidade. Sem querer reduzir o encanto da lenda, podemos salientar que, praticamente, qualquer pessoa naquela situação poderia ter feito o mesmo (...) Aqui, por assim dizer, tropeça-se na grandeza, exatamente como se poderia tropeçar num tesouro que salvasse uma cidade. A grandeza, entretanto, é algo que deve exigir algum talento extraordinário, e não apenas a sorte de existir e, num momento feliz estar no lugar certo."
      Assinale a alternativa que melhor resume a ideia principal do texto:

a.    Se tiver sorte, qualquer pessoa pode salvar uma cidade, mas isso não é sinal de grandeza
b.    É encantadora a lenda do menino holandês que salvou sua cidade, mas não podemos transpor seu caso para outras situações
c.    O homem-momento pode ser comparado ao menino holandês que salvou sua cidade, isto é, ambos têm a sorte de estar no lugar certo no momento exato
d.     Na história, somos enganados por lendas que atribuem a uma pessoa o que poderia ser realizado por qualquer outra
e.    Algumas pessoas tornam-se grandes por acaso, mas a grandeza real exige qualidades individuais

(TST) As questões de números 48 a 51 baseiam-se no texto que se segue:
      
      A racionalidade comunicativa se tornou possível com o advento da modernidade, que emancipou o homem do jugo da tradição e da autoridade, e permitiu que ele próprio decidisse, sujeito unicamente à força do melhor argumento, que proposições são ou não aceitáveis, na tríplice dimensão: da verdade (mundo objetivo), da justiça (mundo social) e da veracidade (mundo subjetivo). Ocorre que simultaneamente com a racionalização do mundo vivido, que permitiu esse aumento de autonomia, a modernidade gerou outro processo de racionalização, abrangendo a esfera do Estado e da Economia, que acabou se automatizando do mundo vivido e se incorporou numa esfera "sistêmica", regida pela razão instrumental. A racionalização sistêmica, prescindido da coordenação comunicativa das ações e impondo aos indivíduos uma coordenação automática, independente de sua vontade, produziu uma crescente perda de liberdade.

 48. De acordo com o texto, na modernidade:

a.    a racionalização comunicativa valorizou o trabalho
b.    o homem pôde decidir quais seriam os novos valores aceitáveis
c.    o advento da racionalidade emancipou o homem do jugo da tradição e da autoridade
d.    o homem, ao perder a tradição, perdeu a autoridade
e.     a racionalidade impeliu o homem ao jugo da tradição

 49. A racionalização do mundo vivido permitiu:
     
     a) a tríplice dimensão da verdade                 d) um aumento da autonomia
      b) a aceitação da autoridade                          e) a busca da justiça social
      c) a valorização do trabalho

 50. A modernidade gerou dois processos da racionalização:
      
     a) a do mundo vivido e a sistêmica
      b) a subjetiva e a objetiva
      c) a instrumental e a da Economia
      d) a da tradição e a da autoridade
      e) a da comunicação e a do mundo vivido

 51. A racionalização regida pela razão institucional:
   
     a) veio explicar a tradição e a autoridade
      b) é imprescindível para a comunicação humana
      c) impõe aos indivíduos a comunicação das ações
      d) ganhou dimensão maior por causa do Estado
      e) fez decrescer a liberdade

As próximas questões referem-se ao texto a seguir, extraído do sexto capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).
“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.”
(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. p. 648-649.)

52) Nessa passagem, quem fala é Quincas Borba, o filósofo. Suas palavras são dirigidas a Rubião, ex-professor, futuro capitalista, mas, no momento, apenas enfermeiro de Quincas Borba. É correto afirmar que a maneira como constrói esse discurso revela preocupação com:

a) A clareza e a objetividade, uma vez que visa à compreensão de Rubião da filosofia por ele criada, o Humanitismo.
b) A emotividade de suas palavras, dado objetivar despertar em Rubião piedade pelos vencidos e ódio pelos vencedores.
c) A informação a ser transmitida, pois Rubião, sendo seu herdeiro universal, deverá aperfeiçoar o Humanitismo.
d) O envolvimento de Rubião com a filosofia por ele criada, o Humanitismo, dada a urgência em arregimentar novos adeptos.
e) O estabelecimento de contato com Rubião, uma vez que o mesmo possui carisma para perpetuar as novas idéias.

53. (UEL) Com base nas palavras de Quincas Borba, considere as afirmativas a seguir:

I. As duas tribos existem separadamente uma da outra.
II. A necessidade de alimentação determina os termos do relacionamento entre as duas tribos.
III. O relacionamento entre as duas tribos pode ser amistoso (“dividem entre si as batatas”) ou competitivo (“uma das tribos extermina a outra”).
IV. O campo de batatas determina a vitória ou a derrota de cada uma das tribos.

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e IV.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, II e IV.

54. (UEL/2005) O Humanitismo, filosofia criada por Quincas Borba, é revelador:

a) Do posicionamento crítico de Machado de Assis aos muitos “ismos” surgidos no século XIX: darwinismo, positivismo, evolucionismo.
b) Da admiração de Machado de Assis pelos muitos “ismos” surgidos no início do século XX: futurismo, impressionismo, dadaísmo.
c) Da capacidade de Machado de Assis em antever os muitos “ismos” que surgiriam no século XIX: darwinismo, positivismo, evolucionismo.
d) Da preocupação didática de Machado de Assis com a transmissão de conhecimentos filosóficos consolidados na época.
e) Da competência de Machado de Assis em antecipar a estética surrealista surgida no século XX.

Instruções para as questões de número 55 a 58.

Essas questões referem-se à compreensão de leitura. Leia atentamente cada uma delas e assinale a alternativa que esteja de acordo com o texto. Baseie-se exclusivamente nas
informações nele contidas.

55- (UEMT-LONDRINA) “Não muito remota é a conquista pedagógica que consiste na interpretação psicológica da criança como criança, e não como adulto em miniatura. Até
então, a criança tinha sido considerada do ponto de vista do adulto, olhada como um adulto ante um binóculo invertido; aquilo que fosse útil ao inútil par o adulto, igualmente o
seria, guardadas as devidas proporções para a criança.”

Segundo o texto:

a)O comportamento da criança é a uma antecipação do comportamento do adulto.
b)Atualmente, a pedagogia considera a criança um ser qualitativamente diferenciado do adulto.
c)A pedagogia moderna, para interpretar o comportamento do adulto, tem que reportar-se à infância.
d)Para a corrente pedagógica moderna, a não ser por uma questão de grau, a motivação intrínseca da criança é a mesma que a do adulto.
e) O comportamento humano é explicado por fatores que são os mesmo tanto par a criança quanto para o adulto.

56 - (UEMT-LONDRINA) “Para vendermos produtos, mesmos mais baratos, os salários das classes mais baixas precisariam ser maiores.”

Conclui-se do texto que:

a)As classe pobres podem comprar apenas os produtos cujo preço foi sensivelmente reduzidos.
b)O fato de os salários serem baixos induz as classes pobres à indiferença diante de suas necessidade do consumo..
c)As calasses pobres, em face de seus baixos vencimentos, não se importam com a qualidade dos produtos que consomem
d)As classes pobres se endividam demasiadamente, já que, por força dos baixos salários que recebem, têm poder aquisitivo muito reduzido.
e)A redução do preço dos produtos não é suficiente para colocá-los ao alcance dos salários das classes mais baixas.


57 - (UEMT-LONDRINA) “A idéia de que diariamente, cada hora, a cada minuto e em cada lugar se realizam milhares de ações que me teriam profundamente interessado, de que eu deveria certamente tomar conhecimento e que, entretanto, jamais me serão comunicadas – basta par tirar o sabor a todas as perspectivas de ação que encontro a minha frente. O pouco que eu pudesse obter não compensaria jamais esse infinito perdido.”

De acordo com o texto , para o autor:

a)a consciência da impossibilidade de participar de todos os acontecimentos diminui a importância de seus atos.
b)O interesse que o indivíduo manifesta em participar dos acontecimentos é maior que sua capacidade par dirigi-los.
c)O mundo ganha valia com o conjunto das ações humanas, mas destrói o sabor que a vida possa, individualmente, oferecer aos homens.
d)O mundo não se resolve nos gestos individuais, mas resulta do conjunto da ação harmoniosa dos indivíduos.
e)A impotência de participar dos acontecimentos de seu tempo traz, como conseqüência, o descaso pela ação humana.


58 - (UEMT-LONDRINA) “Um dia desta semana, farto de vendavais, naufrágios, boatos, mentiras, polêmicas, farto de ver como se descompõem os homens, acionistas e diretores, importadores e industriais, farto de mim, de ti, de todos, de um tumulto sem vida, de um silêncio sem quietação, peguei de uma página de anúncios (...)".
Dizendo-se farto "de um tumulto sem vida, de um silêncio sem quietação”, o cronista permite-nos concluir que ele vê o mundo como:

a)incompreensível
b)contraditório
c)autoritário
d)Indiferente
e)Inatingível

59 - “Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste. E falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever. Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as idéias não vêm, ou vêm muito numerosas- e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel. Emoções indefiníveis me agitam – inquietação terrível, desejo doido de voltar, de tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração. Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão.”

(Graciliano Ramos – São Bernardo – São Paulo, Liv.Martins Editora)

59 - (FGV) Segundo o texto, o narrador não pôde conhecer totalmente sua esposa, Madalena, sobretudo:

a)porque ela nunca se revelou inteiramente.
b)Por causa “desta vida agreste”
c)Por ser sempre agitado por indefiníveis emoções.
d)Porque as palavras são reproduções imperfeitas das inquietações.

60 - (FGV) A narrativa é inútil, porque o narrador:

a)não conseguiu compor um retrato moral de sua esposa.
b)Foi forçado a escrever.
c)Tem uma alma agreste.
d)Não gosta do que escreve.


Gabarito: 


1.c 2.a 3.d 4.b 5.e 6.b 7.a 9.a 10.a 11.d 12.a 13.a 14.c 15.b 16.a 17.b 18.d 19.c 20.d 21.a 22.c 23.d  24. C  25.E  26. E  27. C  28. C  29. E  30. A  31. B  32. C  33. D  34. B  35.D  36.E
37. C  38. A  39. C   40.E   41.D  42. B   43. C   44. D   45. A   46. B   47. E   48. B   49. D   
50. A    51. E   52. C  53. B   54. C  55. B  56. E   57. A   58. B   59. B    60. B




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